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Galeria 22

Ismael Nery

Ismael Nery (1900 – 1934)

Pintor modernista brasileiro, nascido em Belém do Pará em 9 de outubro de 1900 e falecido no Rio de Janeiro em 6 de abril de 1934, vítima de tuberculose. É considerado um dos precursores do Surrealismo no Brasil e uma das figuras mais singulares da primeira geração modernista.

Em 1917 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde estudou na Escola Nacional de Belas Artes. Aos 20 anos viajou para a França e ingressou na Académie Julian, em Paris. Em 1922 casou-se com a poeta Adalgisa Nery, que se tornou musa recorrente em sua obra e parceira intelectual. Em 1927 voltou a Paris e conheceu Marc Chagall e o poeta surrealista André Breton, em encontros decisivos para a configuração de sua linguagem.

Diferentemente de outros artistas da Primeira Geração Modernista, Nery não buscava uma identidade nacional: aproximava-se de valores universais, ligados a suas ideias filosóficas e místicas, dialogando com o catolicismo, o pensamento esotérico e a metafísica. Sua obra gira em torno de dualidades filosóficas – o eu e o outro, o corpo e o espírito, o bem e o mal, o masculino e o feminino – traduzidas em figuras hieráticas, retratos psicológicos e composições oníricas.

A crítica costuma dividir sua trajetória em três fases: Expressionista (1922-1923), Cubista (1924-1927) e Surrealista (1927-1934), sendo esta última a mais importante e promissora, interrompida pela morte precoce. Em 1929, após viagem à Argentina e ao Uruguai, foi diagnosticado com tuberculose, internando-se em sanatório por dois anos. Em 1933 a doença voltou de modo irreversível.

Sua obra permaneceu ignorada do grande público até 1965, quando foi inscrita na 8ª Bienal de São Paulo, na Sala Especial de Surrealismo e Arte Fantástica. Hoje é reconhecido como um dos maiores artistas de sua geração, ao lado de Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti.

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